Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

O VIOLINISTA

Depois de tanto barulho e azáfama durante o tempo de Boas festas que vivemos, é altura de parar para pensar e arrancar de um qualquer instrumento de vida, uma nota mais ou menos afinada que contribua para pôr a nossa racionalidade em modos”... como costuma dizer um amigo meu!

Costumo afirmar que a televisão é um bom aparelho para me ajudar a dormir, mas nos tempos recentes e fruto das circunstancias, tenho-lhe dedicado um pouco mais de tempo e essa pequena caixinha mágica, transformou-se também num instrumento de insónias… ora são os jogadores que acham uma injustiça pagar os impostos devidos, ora são os fulanos não sei de onde que agora querem uma passagem dos transportes públicos assim ou assado, ora são os meninos da escola que chegaram à conclusão de que têm aulas a mais, ora é um enforcamento que é transmitido quase em directo, ou é a atenção que se dá a baboseiras e faltas de integridade humana e moral de alguém deficitário de protagonismo, ou é o duelo a que assistimos entre plataformas que esgrimam argumentos para um sim ou para um não… meu Deus, será que endoidecemos de vez? Será que te cansaste de nos aturar e agora estamos de dia para dia a ficar com os sentidos desafinados? Será que não teremos coragem de desligar a televisão em vez de deixar que se violem os nossos próprios sentidos? Será que no meio de tantas cordas de vida que encontramos e temos, não conseguiremos sacar ao menos de uma delas uma nota afinada…

 

Um violinista, chamado Paganini, tornou-se conhecido por causa da precisão com que conseguia fazer soltar notas melodiosas do seu violino… uns diziam que ele era estranho e outros que deveria de ser sobrenatural. Facto é que um dia, o auditório onde costumava actuar estava repleto de admiradores e quando a orquestra entrou foi ovacionada. Logo de seguida entrou Paganini que levou a plateia ao rubro… Faz-se silêncio, Paganini colocou o violino no seu ombro e o que a seguir se assistiu foi indescritível… breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias parecem ganhar asas e voar ao toque daqueles dedos encantados…

De repente, um som estranho interrompe as delícias da plateia… uma das cordas do violino rebenta… o maestro parou, a orquestra parou, o público parou… mas Paganini não parou e olhando para a partitura ele continuava a retirar sons melodiosos do seu violino… Á ordem do maestro, a orquestra retoma a sinfonia acompanhando Paganini… mas subitamente, outra corda se rompe… o público fica perplexo, a orquestra parou de novo e o maestro também… mas Paganini não parou… como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e continuou a soltar sons do impossível… impressionados e sob a batuta do maestro a orquestra retoma a interpretação… mas ninguém estava à espera do que a seguir aconteceu e ouviu-se um OHHHHH na plateia… uma terceira corda do violino acabava de rebentar… a orquestra parou, o maestro parou, a respiração do público parou... mas Paganini não parou! Como se fosse um autentico contorcionista circense, ele consegue retirar daquele violino destruído todos os sons, apenas na corda que sobrara… nenhuma nota foi esquecida! Empolgada, a orquestra retoma a sua actuação, motivado o maestro anima a orquestra, o público chega ao delírio… e o concerto atinge gloriosamente o seu fim… Paganini não é apenas um violinista genial… ele é o símbolo do profissional que continua e acredita, mesmo diante do impossível… o símbolo do homem que conjuga todos os seus sentidos para conseguir sons afinados… numa única corda.

 

Caríssimos...

Temos tantas cordas e ás vezes fruto de as esticarmos demais, rebentamos com elas quando friccionamos o arco de crinas das nossas tontices… Outras vezes não sabemos retirar das nossas cordas os sons afinados que necessitamos para vibrar e dar melodia à vida… Ano novo vida nova diz a sabedoria popular, mas o violino é o mesmo… as cordas são as mesmas… o arco de crinas é o mesmo… o violinista é o mesmo…. Podemos é mudar de melodia, trocar de partitura, e afinar os nossos sentidos para retirar deles o melhor que temos e fazer os outros… vibrarrrrr!

Desejos de um bom e afinado Ano Novo.

Paulo/Janeiro de 2007

ppp do Paulo às 00:49
| comentários ao ppp...
|
1 comentário:
De di a 10 de Janeiro de 2007 às 22:30
Quando surge um problema, você tem duas alternativas: ou fica se lamentando, ou procura uma solução. Nunca devemos esmorecer diante das dificuldades. Os fracos se intimidam.
OS FORTES ABREM AS PORTAS E ACENDEM AS LUZES .

(Dali Lama )

Lindo !

Afina então os teus sentidos e retira deles o melhor que sempre tens e faz os outros… vibrarrrrr ! ... do jeito que tu tão bem sabes fazer de Portas bem abertas e com toda a tua Luz e... verás uma nova melodia soar lá no Horizonte.

Bom reinicio em todos os teus horizontes...

XI GND

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